segunda-feira, 1 de junho de 2015

Oração

Parece fácil simplesmente parar com tudo,
E, de peito aberto, ver você deixar meu mundo.
Mas eu não consigo parar de escrever,
Nem de sorrir quando volto a te ver.

Mesmo que a razão grite em silêncio,
Teu rastro insiste em viver no meu pensamento.
É como se o adeus fosse só um disfarce,
E o amor, teimoso, pedisse mais um instante.

Então sigo cambaleando nessa linha tênue:
Querer te ver bem e tentar ser tua inspiração,
Com um carinho imenso, embora eu continue
A querer-te inteira, dona do meu coração.

E nesse vai e vem da entrega e da renúncia,
Sinto que cada palavra é quase oração,
Um pedido mudo que se esconde na cadência,
De ainda ser abrigo na tua imensidão.