terça-feira, 3 de novembro de 2015

Sozinho

Tão perto, mas agora tão distante
Foram apenas em alguns instantes
E nosso mundo perfeito
Acabou sendo desfeito.

Tão importante, mas agora desconhecido
Eu sinto muito você ter falecido
Seu corpo é apenas um sinal
De que nós nos juntaremos no final.

Tão ágil, mas agora desequilibrado
O destino foi neutralizado
Nossa consciência abandonada
Talvez um dia seja encontrada.

Tão bom, mas agora uma vitima
Sua verdade nunca foi legitima
Mesmo assim recebia carinho
Ele devia ter morrido sozinho.

Muito tempo atrás
Em tempos de paz
Nossos laços foram criados
Com o tempo preservados
E o mundo bem perto
De tu aquilo que parecia certo.

País Sem Rumo

Sequências de mentiras nos cercam
Conjuntos de falsidade se aproximam
Sem nenhuma solução aparante
Talvez seja o fim de uma nação decadente.

Cansada de gritar pelos direitos
Mas sempre criando novos conceitos
À espera de fazer a diferença
Em um país que multiplica a consêquencia.

Eis o meu país sem rumo
Legalizando o fumo
Embriagados de corrupção
Sugando a essência da população.

Eis o meu país lutando
A massa continua berrando
Mais pessoas estão acordando
Devagar nós iremos caminhando...

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Oração

Parece fácil simplesmente parar com tudo,
E, de peito aberto, ver você deixar meu mundo.
Mas eu não consigo parar de escrever,
Nem de sorrir quando volto a te ver.

Mesmo que a razão grite em silêncio,
Teu rastro insiste em viver no meu pensamento.
É como se o adeus fosse só um disfarce,
E o amor, teimoso, pedisse mais um instante.

Então sigo cambaleando nessa linha tênue:
Querer te ver bem e tentar ser tua inspiração,
Com um carinho imenso, embora eu continue
A querer-te inteira, dona do meu coração.

E nesse vai e vem da entrega e da renúncia,
Sinto que cada palavra é quase oração,
Um pedido mudo que se esconde na cadência,
De ainda ser abrigo na tua imensidão.

domingo, 31 de maio de 2015

O Que Eu Escrevo

Bem-vinda ao meu poema:

Às vezes penso que o tempo é um espelho partido,
Refletindo versões de nós que já não nos cabem.
E mesmo assim, nas fendas do infinito,
Ainda me perco nas possibilidades que me atraem.

Que merda…
Talvez nossa vida seja um romance de Emily Brontë.
Ou quem sabe aquela clássica do Exalta:
“É muito mais que desejo, é muito mais que amor…”

Mas se você ainda tá ouvindo isso aqui, talvez algo na minha oratória te seduza.
Talvez seja meu estilo de geminiano alternando intensidade,
Ou esse jeito criativo de vender ideias,

Colocando em poesia o que me atormenta na realidade.
Porque, no fim, eu sou responsável pelo que escrevo,
Não pelo que você entende.

sábado, 30 de maio de 2015

Minha Nazaré

Dei um pause no tom romântico,
Mas voltei na mesma madrugada.
Difícil é me manter autêntico
E te surpreender na mesma pegada.

Já fui surfista da zona sul,
Já fui judoca medalhista,
Mas não fui eu quem te viu de blusão azul,
Foi meu eu-lírico que caiu à primeira vista.

E agora ele segue por aqui, nesse tatame,
Te cumprimenta no chão, mas sem submissão.
Porém, quando a luta começa e tu me reclamas,
Basta só o teu ippon e eu já perdi meu coração.

Como quem rema contra a maré,
Para não ser levado na próxima onda.
Mas todo dia teu olhar é Nazaré,
E teu amor é a praia onde busco a minha sombra.
___________________________________________________________
Ippon: Expressão japonesa que significa "um golpe perfeito" e é o termo para a pontuação máxima em artes marciais.
Nazaré: Vila em Portugal conhecida por suas ondas gigantes.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Fortaleceu(?)

 Me bote contra a parede e me pergunte:

Há quanto tempo ando pensando na gente,
no teu cheiro, teu beijo, teu calor e teu abraço quente.
E eu te respondo sem medo, sem disfarce:

Que é desde sempre, desde o instante do enlace,
quando tua presença virou meu porto, minha base.
E ainda me pego olhando fixo para a tua face.

Lembrança que insiste em me visitar,
numa hora sempre propícia a me atormentar.
Mas já faz um bom tempo que eu esqueço dos problemas quando a gente está junto,
mesmo no meio dessa rotina que nos cobra tudo,
tentando imaginar eu e você contra o mundo.

Se a gente conseguir sobreviver à verdade,
e, no fundo desta fria cidade,
buscar uma dose de felicidade,
quem sabe iremos rir de como isso nos fortaleceu.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Admito

Teu olhar ainda vai ser minha casa?
Teu abraço ainda vai ser meu carregador?
Quando eu acordar pela manhã, sem mais nada,
Quem vai carregar para fora toda essa dor?

Sei todo teu nome, teus poucos defeitos,
Teus toques, todas tuas manias,
Cada riso escondido, cada gesto perfeito,
E mesmo nas sombras, teu cheiro me guia.

Anseio por ti em memória,
E caminho pensando no teu carinho.
Embora, nesse jogo, empate ainda seja vitória,
E ironia é lutar por amor e, no final, acabar bem sozinho.

Admito que sinto tua falta.

Na noite sempre ímpar,
No dia a dia, nós dois, um par,
Singularidade que transborda do peito.
Me afogo pensando a respeito.

Tu faz sexo só de risada,
Teu jeito único de me eletrocutar.
Tu és a parte mais linda da vida,
Mas não sei até onde continuar...

 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Se Ela Soubesse


Morei no teu sorriso,
Num som do Legião antigo.
Teu peito é um labirinto
Que me cerca de dúvida.

Mas vem, que no caminho eu explico:
Cada passo, persuasivo;
Cada contato, um perigo,
Porque te desejar me assusta.

Mas se ela soubesse...
Que, quando passa na minha frente,
Eu sinto como se todas as respostas coubessem
Numa circunstância pura: te agarrar na nuca, e o resto a gente esquece.

Se eu declamasse uma poesia na tua rua aí,
E só três pagantes houvessem,
Será que você me amaria,
Se eu não fosse essa visão vazia?

Teu abraço quente em noite fria...
Meu sonho, tua fantasia...
É incrível nossa sincronia,
Mas sou apenas mais uma poesia.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Assalto

Te olho e meu peito dispara
Ao vivo, em foto e em pensamento.
Que bom sentimento é te encontrar
E ouvir você dizer como passou seu tempo.

Há quem diga que o amor pode matar,
Mas não seria viver morrer por amor?
Sentir o doce da vida quando for pra amar,
E se preparar, talvez, para o amargor.

De qualquer forma, sinto-me caminhando certo;
Errando alguns passos, mas sigo sem parar.
Afinal, tenho você por perto,
E te darei direção pra gente se encontrar.

Eu pensando, e você agindo,
Você sentindo, e eu gritando.
Nós querendo, e eles assistindo
O maior assalto romântico.

domingo, 24 de maio de 2015

Te Decifrar

Baixinha e marrenta;
Dois adjetivos que se encaixam tão bem nessa guria
Antigamente era na dela, mas sempre inquieta
Mas hoje és fogo, és chama, és calor e alegria
És uma força que embala e me orgulha noite e dia.

Baixinha e marrenta;
Curiosa com cada detalhe prático e teórico
Tentar te decifrar é como desmontar um relógio
E ver cada peça linda que compõe esse ser místico
Que consegue ser excelente em tudo que faz, um prodígio

Baixinha e marrenta;
És orgulho para mim em cada gesto, cada conquista,
És luz que ilumina e jamais passa despercebida.
No teu jeito firme, doce e intenso,
Moras no mundo e também aqui dentro.

Baixinha e marrenta;
És tempestade e calmaria no mesmo instante,
Na ponta do pé tentando alcançar a estante,
Enquanto eu rio olhando de longe...

 

sábado, 23 de maio de 2015

Minha Sina

Tô te escrevendo, mas não sei por quê,
Maldita vontade de querer te ver,
Te ouvir de perto, te sentir de longe,
De noite, poeta jorrando poesia.

De dia, renuncio a tudo como um monge,
Num ritmo constante de autofagia.
Aproveito o momento nesta madrugada fria e vazia,
Despejo na letra calor, sentimento e euforia.

Só que o problema é o papel, no fim disso tudo,
Quando, na verdade,
Na verdade, eu queria declamar no teu ouvido.
Contudo,

Não posso exteriorizar tal sina,
Então aceito de peito aberto, calado e quieto,
Pois sentir demais é o problema deste escritor inquieto,
Enquanto eu desejo de longe e tu finges de perto.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Que Te Contém?

 Quero encontrar alguém,
Alguém que me faça entender
Qual é o sentido da vida, se não esses momentos
Em que a gente se embala e vive essa trama sem julgamentos.

Mas, sei lá...
Se for pra ser, será.
Só espero que seja com você, e com mais ninguém.

Ou talvez eu me torne outro grande bêbado solitário,
Que também se privou de amar.
Mas eu ainda tô aqui...

Meu vulgo? Romântico refém.
Mas me diz: seu coração é de quem?
Por que apagou a mensagem ontem?

Me diz o que te contém.
Igual ao seu sabor, não tem.
Seu coração é de quem?


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Rascunho 7

Pequena de estatura, mas veroz como uma loba,
Olhar que instiga e afeta no meu âmago,
Me imobiliza nas madrugadas numa solidão insossa,
Quebrando essa parede do meu antigo ser cigano.

Que porra é essa de magia que consegue me prender?
E me faz soltar tantos versos românticos...
Mas quem sabe eu finalmente possa entender,
Quem inspira meus poemas, os meus cânticos.

Quebrando minha postura,
Fazendo questão que eu não encontre uma cura,
Censurando minha razão e impondo sua ditadura,

Soltando minha antiga loucura,
Mas que filha da puta...
A merda do triplex...

 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Quimera

Se eu não te contar, você nunca vai saber
De que forma continuar, além de tentar compreender.
Talvez você nunca saiba por mim — não sóbrio, ao menos
Ou quem sabe você esteja a fim, quem sabe nós dois queiramos.

Mas se eu disser agora, será que vai me ouvir?
Talvez o vento e a demora me ensine a te sentir.
Me diga se é loucura ou destino, teu toque doce e intenso.
Talvez seja só o caminho que traz algo bonito e imenso.

E se for só ilusão, ainda assim quero tentar.
Quando olho no meu coração, já não dá mais pra negar.
Entre dúvida e desejo, teu olhar me acende.
Quero o calor do teu beijo, enquanto todo o nosso medo se rende.

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Se eu não te contar, você nunca vai saber
De que forma continuar, além de tentar compreender.
Talvez você nunca saiba por mim — não sóbria, ao menos
Ou quem sabe você esteja a fim, quem sabe nós dois queiramos.

Mas se eu disser agora, será que vai me ouvir?
Talvez o vento e a demora me ensine a te sentir.
Me diga se é loucura ou destino, teu toque doce e intenso.
Talvez seja só o caminho que traz algo bonito e imenso.

E se for só ilusão, ainda assim quero tentar.
Quando olho no meu coração, já não dá mais pra negar.
Entre dúvida e desejo, teu olhar me acende.
Quero o calor do teu beijo, enquanto todo o nosso medo se rende.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Novidade

Te busquei hoje nos meus sonhos.
Novidade seria se fosse há 2 anos atrás,
mas essa rotina estraga tudo,
fazendo nosso tempo ser tão caro.

Mesmo assim, eu paro e te encaro nos olhos,
sem nem um pingo de maldade.
Em pleno domingo à tarde,
meu sobrenome? Saudade.

Abri nossa conversa pensando, mas, na verdade,
já não penso mais em você,
você que coexiste em mim.

E, no meio dessa loucura sem fim,
você me manda uma mensagem.
Sincronia, acaso ou causalidade?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Verso Livre e Sem Título

Navego, mas de alguma forma sempre paro em você aqui.
Já fazem tantos dias que me pego em plena madrugada,
Entre silêncios e lampejos, é teu nome que insiste,
um eco que atravessa os relógios, sem se cansar do tempo.

Tempo que eu não trocaria por nada nessa vida breve
Pois na brevidade encontro uma eternidade em teus gestos,
como se o instante tivesse raízes,
e pudesse florescer a qualquer hora inesperada.

Mas tenho dúvidas se isso é possível nesse inverno...
Seria possível algum sentimento trazer flores num tempo gélido?
Acho que sim, pois já vi jardins nascerem sob neve espessa,
porque às vezes o coração não obedece às estações,
e insiste em florir onde ninguém jamais espera.

 

domingo, 17 de maio de 2015

Procura-me

 Prezada ouvinte;

Talvez você me procure hoje e não me encontre
E sinta que em algum momento, eu talvez faça falta.
Num gole gelado e uma piada que sempre esconde,
Minha intenção de ver teu sorisso que me traz calma.

Quem sabe me encontre de alguma forma,
Talvez pela memória de algo que remeta a mim.
Da implicância, disfarçada de um desejo que entorna
Minha vontade de te sentir declarando um fim.

Eu espero que lembre e aqueça teu peito,
Embora sinceramente eu não saiba com o que.
Me sinto tão confuso na ponta de um parapeito,
Tentando conceber como, quando e por quê... 

Talvez eu queira que você tivesse me encontrado
E de alguma forma também entendesse esse sentimento
Latente, pulsante, pedindo para ser nomeado
Ou enterrado, selado e afogado pelo momento.

sábado, 16 de maio de 2015

Treino de RS

 Você é meu nascer do sol.
Acelera meu coração como num teste de VO₂ indireto,
E, ao mesmo tempo, me acalma como uma dose de muscimol.
Ansiedade é te ver de longe, daqui desse labirinto discreto.

Correndo em círculos nesse campo aberto,
Perdido, mas pensando em te mandar um papo reto:
Que não adianta trocar de objeto,
O que consolida e persiste é tua presença no momento certo.

Perfundindo algo dentro do meu ser,
Uma cirurgia lenta, ao longo de muitos meses, sem eu nem perceber.
E agora, com meu coração canulado e a droga na tua mão,
Fico à mercê da tua vontade, da tua modulação.

Mas não sei se é emocional ou aversiva
O resultado dessa história impulsiva.
Eu não quero, de forma alguma, que te faça mal,
Quero apenas você no treino de reconhecimento social.