Já não sei se corro ou fico. Meu peito arde,
e o pensamento implode em labirinto.
A noite, tudo o que eu disse volta, e o que
não digo
me pesa mais que aquilo que eu disse tarde.
Há um resto teu em cada parte,
Um eco que rasga e me mantém extinto.
Se te encaro, sangro; se fujo, minto;
meu passo é dor, mas recuar agora é ser covarde.
O que fazer, então, com o aquilo que
sobrevive?
Matar esse sentimento que ama ou deixar quem
ele ama ferir-me?
Agora. nenhum caminho é fuga, ambos doem.
No fim, só resta o instante em que hesito
E morro de amor sem abrigo,
sabendo que alguns fantasmas não se dissolvem com o tempo.