quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Soneto em Ruínas

Já não sei se corro ou fico. Meu peito arde,

e o pensamento implode em labirinto.

A noite, tudo o que eu disse volta, e o que não digo

me pesa mais que aquilo que eu disse tarde.

 

Há um resto teu em cada parte,

Um eco que rasga e me mantém extinto.

Se te encaro, sangro; se fujo, minto;

meu passo é dor, mas recuar agora é ser covarde.

 

O que fazer, então, com o aquilo que sobrevive?

Matar esse sentimento que ama ou deixar quem ele ama ferir-me?

Agora. nenhum caminho é fuga, ambos doem.

 

No fim, só resta o instante em que hesito

E morro de amor sem abrigo,

                               sabendo que alguns fantasmas não se dissolvem com o tempo. 

domingo, 21 de setembro de 2025

Errado

Errado por sentir algo desse jeito
Errado por pensar e extravasar poesias sem sujeito
Errado por imaginar e faltar com todo o respeito
Errado... e apenas aceito

No dia em que jurei amor a ti
Traí a mim mesmo e não percebi
Pois amor algum devia ser assim:
complicado no início, meio e fim

Fim que não vem de forma rápida
E mistura em meu peito aflição e euforia:
aflição de ver desmoronar até que não sobre mais nada
e euforia por viver só, mas na alegria

Só nunca, na verdade — mas tenho que correr atrás.
Tantas amizades, breves ou de uma vida inteira,
que com apenas um toque foram tiradas de cartaz;
e nenhuma pessoa consegue preencher o vazio
de tantas histórias que ficaram pelo caminho,
de risos, abraços e confidências perdidas no tempo,
um vazio que ecoa mais alto que qualquer despedida
e que me lembra, a cada dia, do que já fui e do que talvez não volte mais.
 

sexta-feira, 20 de março de 2020

Momentos

Em certos momentos na vida nós nos tornamos reflexivos 
Mesmo que por alguns minutos 
Pensamos em todas atitudes, nossos erros, nossos improvisos,
Todos os passos naquele caminho que nos trouxe até aqui.

Em certos momentos na vida nós nos tornamos apreensivos 
Por que não há mais volta em nossas ações 
Talvez seja culpa desse confronto diário com nossas emoções 
Onde temos que escolher o melhor mesmo de olhos vendados com futuro

Em certos momentos na vida nós nos tornamos resilientes,
Aprendemos a se manter de pé
Independente do tamanho dessa maré 
Nos adaptamos e seguimos fortes como anjos pela própria fé 

Em todos momentos na vida nós aprendemos o que vale a pena 
Não essas coisas banais e virtuais ao nosso alcance 
O contato, o sentimento, o momento dividido com uma pessoa 
Que por mais efêmero em nossos anos, nos marca por toda vida.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Psicóloga

Eu precisava hoje;
Madruguei cedo e ainda não encontrei aquela ajuda que tanto falam
Só me sinto mais neurótico, vazio e cansado
Também não encontrei o motivo porque as pessoas se calam
Quando precisam de ajuda, de salvação, de um porto seguro inalcançável

Eu precisava ontem;
Porque não tá me fazendo bem viver assim,
Somente a dor me distrai daquilo que me machuca...
Eu acho que não da mais pra mim
Eu grito sorrindo mas ninguém me escuta
Preciso de um tempo antes que a história chegue ao fim.

Eu precisava agora;
Mas acho que a gente já tá sem tempo
A próxima sessão é na semana que vem né?
Eu te vejo lá, talvez 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Pro(cura)

Perdido pelo espaço num tempo incerto
Me perdi pelo acaso de não ti ter por perto
Eu sei foi minha escolha, tu sabe eu não presto
Tentei ser esperto, mas acabei sozinho nesse deserto

De pecados, tentações e aquilo que me incita
Talvez seja Deus botando caos na poesia que te cita
Um toque de confusão e o poeta que recita
São apenas dádivas da vida com um capa meio explicita

De cenas nada amenas no meu quarto em expansão
De penas tão pequenas cobrindo nosso colchão
Se tornando aquilo que nós sempre procuramos

Os planos, os desejos e tudo aquilo que sempre buscamos
A paz, o paraíso, o sossego e a nossa cura
No final dessa jornada a gente se torna o que sempre procura (?) 

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Artesão

Diferente de ontem, hoje eu caio em sentido anti-horário
Consciência livre de escritor sem honorário
De jogador sem ter baralho
Apostando até chegar no próximo bar e se perder que nem um otário

Aposto palavras que se mostram mais valiosas do que meu dinheiro
Talvez pelo poder de uma metáfora na mão de um diplomata
Ou de uma hipérbole na boca de um romântico prestes a cair nesse bueiro
A palavra se friamente calculada, mata

Então seria eu um vendedor de balas, forjadas nas madrugadas
Esculpidas em versos e mágoas
Ou apenas um artesão de sua própria fala
Tentando vender sua arte ao longo da sua jornada. 

terça-feira, 15 de outubro de 2019

!

Já sao onze e meia
Bato as teclas desse computador com medo, aflição 
Já que não existe algo que compute a minha dor, a perdição 
Não preciso mas insisto, insisto e insisto porque te amo 
De peito aberto e voz fraca 
Grito por dentro, mas por fora, nada 
A gente improvisa o dia a dia esperando que no final desse dia sobre tempo pra cultivar essa saudade em agonia 
Essa escassez de tempo no momento em que eu quero ser irresponsável 
Única forma de compreender o impensável 
De fazer isso tudo suportável 
Por que na verdade ambos somos carrascos de si mesmos 
Plantando feridas e suportando com desejos 
Vontades, abraços, choros e beijos
Talvez isso tudo seja melhor agora 
Embora eu ainda que imperfeito
Tive o defeito de querer contar as horas 
Onde só precisávamos esquecer o tempo