terça-feira, 16 de outubro de 2018

Modelos

No começo nós éramos indivisíveis
Eu meio daltônico não enxergava amor
Meu ato mostrava ser incompatível
Mas somos iguais no elemento e no calor

Já no final qualquer coisa nos dividia
Diferentes no tom, som e na harmonia
Talvez pelo seu lado negativo e sem sintonia
E a partir dele trombamos sem energia

Hoje tento não ser rude, mas forte
Mesmo que essas partículas de lembranças
Me rodeiem como uma órbita de má sorte
Pois nosso núcleo não guarda mais esperança

Embora eu ainda acredite na paixão
Lembro do teu salto ao lado da cama
Uma luz vermelha no seu coração
Junto com a onda de dor da nossa chama




Carta Ao Poeta

Ela é a loba do meu próprio ser
Mulher enigmática de estado forte
E nem que roubes a razão do meu viver
Confio na paixão e no que me resta dessa sorte

Maquiavélica em seu jeito de agir
E ainda consegue me ensinar a governar
Desvincula minha crença do sentimento há me iludir
Mas me acalma com o futuro a nos tocar

E ainda acabo dando meu melhor de qualquer jeito
Te sentindo, te entendendo e te guardando no meu peito
Pensando mais tarde e te beijando no meu leito
Amar, acho que finalmente entendi esse conceito

Eduquei, expliquei e esclareci meus poucos conhecimentos
Mas nenhum chega aos pés desse nosso sentimento
Tu que me ensinaste em meio ao meu tormento
Que coração se doma, com carinho e um pouco de tempo

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Fortaleza

Olho nos seus olhos e só vejo fogo,
Um mar de chamas sob o céu azul,
Será que tudo isso é mais um jogo?
Ou apenas outra tentação desse meu sul

Frio e seco no inverno,
Mas no verão continua fria
Minto, sem ela eu me interno,
Pois é ela que alegra todos meus dias

Libriana mas de justa, apenas seu short,
Minha parceira pra tudo nesse mundo,
Testa meu peito dizendo que eu sou forte,
Mas é ela a fortaleza desse vagabundo

Uma conexão que não é normal
Beirando a paixão e retornando ao singular
Mas mergulhando de cabeça no que é real
Essa base de carinho vai nos sustentar.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

S.O.S

Amor, eu caio como a chuva de outono,
Sob a casa em que se casas e me deixas,
Sem forças eu caio em sono,
Tão profundo que agora tu se queixas

Então eu deixo quieto o sentimento,
Aquele que se aquieta e não se excita
Mas desperta e inquieta, aperta meu sofrimento
Amor, apenas deixe que isso exista

Nesse tempo que me resta, não me subsistas
Mesmo que eu insistas em continuar,
Com vários tons e melodias, desistas
Pois cheguei no estado de verbo intransitivo, amar

E agora apenas rezo enquanto te confesso,
Não quero teu desprezo pois prezo por nós
Mesmo que me sinta preso e um pouco incerto
Isso é um pedido de S.O.S para que não nos deixe sós.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Alicerces

Somos alicerces do nosso mundo obscuro,
A relação que sobrevive e se reparte no escuro
E por mais que ela parta quando falo do futuro,
Ainda a beijo esperando partir esse coração duro

Coração que não sabe o que sente
Deus, nem eu sei o que eu sinto
Mas sei que foi um tanto de repente,
Que neste recinto, eu ressinto

A vontade de continuar do mesmo jeito
E a ânsia de sempre querer mais,
Essa batalha na qual eu me sujeito,
Enterrando poesias que me tiram a paz

Poesias que aqui guardo,
Esperando dentro do meu quarto,
Ela abrir essas notas e as ler,
E quem sabe deixar esse sentimento crescer.













sábado, 1 de setembro de 2018

A sós

Nem que me Descartes por outras partes,
Toques teus remetem nossa verdadeira face,
Tu existe e logo penso nesse impasse,
Mirar nos olhos dela e me perder sem algum escape.

A iludida ou a que ilude?
Talvez aquela que no final sempre se torna rude
O que eu serei ou deixarei de ser?
Acho que nem Shakespeare saberia me responder...

Mas com certeza foi aonde Tales se perdeu,
Achou que teus olhos fossem a essência,
E até hoje ele nunca entendeu
Que na verdade era sua miragem de inocência

Não há lógica, não há razão,
Apenas nossa percepção,
Aquilo que se manifesta em nós,
Quando estamos juntos e a sós...

domingo, 26 de agosto de 2018

Precipício

Aqui estamos novamente
Na ponta do nosso precipício
Tentamos nadar contra corrente
Mas fomos levados de volta ao início

Ao momento do impasse 
Aonde teus olhos se fixavam aos meus
E mesmo que me cansasse 
Eu ainda paro e encaro os seus

O tempo não é mais relativo 
Pois já aguardamos demais 
O que me tornou seu réu ativo
Pelo motivo de te amar mais

O que eu ainda não consigo classificar 
Se é um empecilho ou uma qualidade 
Se serve para nos aproximar ou distanciar
Talvez um dia você me diga a verdade

Esse precipício se torna tão atraente agora 
Não pela vontade de se jogar 
Mas pela necessidade de construirmos uma ponte nessa hora
Em que outrora iremos atravessar 

Um penhasco é tão necessário quanto uma verdade
Pois ambos tem a chance de causar o fim 
E também de mostrar a uma relação a sua capacidade
De se manterem unidos em um tempo ruim