quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Soneto em Ruínas

Já não sei se corro ou fico. Meu peito arde,

e o pensamento implode em labirinto.

A noite, tudo o que eu disse volta, e o que não digo

me pesa mais que aquilo que eu disse tarde.

 

Há um resto teu em cada parte,

Um eco que rasga e me mantém extinto.

Se te encaro, sangro; se fujo, minto;

meu passo é dor, mas recuar agora é ser covarde.

 

O que fazer, então, com o aquilo que sobrevive?

Matar esse sentimento que ama ou deixar quem ele ama ferir-me?

Agora. nenhum caminho é fuga, ambos doem.

 

No fim, só resta o instante em que hesito

E morro de amor sem abrigo,

                               sabendo que alguns fantasmas não se dissolvem com o tempo. 

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