sábado, 23 de maio de 2015

Minha Sina

Tô te escrevendo, mas não sei por quê,
Maldita vontade de querer te ver,
Te ouvir de perto, te sentir de longe,
De noite, poeta jorrando poesia.

De dia, renuncio a tudo como um monge,
Num ritmo constante de autofagia.
Aproveito o momento nesta madrugada fria e vazia,
Despejo na letra calor, sentimento e euforia.

Só que o problema é o papel, no fim disso tudo,
Quando, na verdade,
Na verdade, eu queria declamar no teu ouvido.
Contudo,

Não posso exteriorizar tal sina,
Então aceito de peito aberto, calado e quieto,
Pois sentir demais é o problema deste escritor inquieto,
Enquanto eu desejo de longe e tu finges de perto.

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