Tô te escrevendo, mas não sei por quê,
Maldita vontade de querer te ver,
Te ouvir de perto, te sentir de longe,
De noite, poeta jorrando poesia.
De dia, renuncio a tudo como um monge,
Num ritmo constante de autofagia.
Aproveito o momento nesta madrugada fria e vazia,
Despejo na letra calor, sentimento e euforia.
Só que o problema é o papel, no fim disso tudo,
Quando, na verdade,
Na verdade, eu queria declamar no teu ouvido.
Contudo,
Não posso exteriorizar tal sina,
Então aceito de peito aberto, calado e quieto,
Pois sentir demais é o problema deste escritor inquieto,
Enquanto eu desejo de longe e tu finges de perto.
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