quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Desabafo

Nada acaba sem um novo começo,
Doloroso mas que nos ensina
A termos nosso próprio apreço,
Por uma pessoa ou algo que nos fascina

Assim como qualquer início caminha para o fim,
Uma constante universal que nos assombra,
Mas ainda não me impede de dizer sim,
Pois não guardo meus amores sob a sombra

A dualidade ainda me incomoda no fundo,
Os dois lados de uma mesma moeda,
A esquerda e a direita, o teu e o nosso mundo,
O amor e o ódio, você e o poeta

Essa exposição das nossas sensações
Para que aceitem nossos corações
É ridículo, eles que entendam a aceitação
Eles que respeitem nossa relação.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Modelos

No começo nós éramos indivisíveis
Eu meio daltônico não enxergava amor
Meu ato mostrava ser incompatível
Mas somos iguais no elemento e no calor

Já no final qualquer coisa nos dividia
Diferentes no tom, som e na harmonia
Talvez pelo seu lado negativo e sem sintonia
E a partir dele trombamos sem energia

Hoje tento não ser rude, mas forte
Mesmo que essas partículas de lembranças
Me rodeiem como uma órbita de má sorte
Pois nosso núcleo não guarda mais esperança

Embora eu ainda acredite na paixão
Lembro do teu salto ao lado da cama
Uma luz vermelha no seu coração
Junto com a onda de dor da nossa chama




Carta Ao Poeta

Ela é a loba do meu próprio ser
Mulher enigmática de estado forte
E nem que roubes a razão do meu viver
Confio na paixão e no que me resta dessa sorte

Maquiavélica em seu jeito de agir
E ainda consegue me ensinar a governar
Desvincula minha crença do sentimento há me iludir
Mas me acalma com o futuro a nos tocar

E ainda acabo dando meu melhor de qualquer jeito
Te sentindo, te entendendo e te guardando no meu peito
Pensando mais tarde e te beijando no meu leito
Amar, acho que finalmente entendi esse conceito

Eduquei, expliquei e esclareci meus poucos conhecimentos
Mas nenhum chega aos pés desse nosso sentimento
Tu que me ensinaste em meio ao meu tormento
Que coração se doma, com carinho e um pouco de tempo

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Fortaleza

Olho nos seus olhos e só vejo fogo,
Um mar de chamas sob o céu azul,
Será que tudo isso é mais um jogo?
Ou apenas outra tentação desse meu sul

Frio e seco no inverno,
Mas no verão continua fria
Minto, sem ela eu me interno,
Pois é ela que alegra todos meus dias

Libriana mas de justa, apenas seu short,
Minha parceira pra tudo nesse mundo,
Testa meu peito dizendo que eu sou forte,
Mas é ela a fortaleza desse vagabundo

Uma conexão que não é normal
Beirando a paixão e retornando ao singular
Mas mergulhando de cabeça no que é real
Essa base de carinho vai nos sustentar.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

S.O.S

Amor, eu caio como a chuva de outono,
Sob a casa em que se casas e me deixas,
Sem forças eu caio em sono,
Tão profundo que agora tu se queixas

Então eu deixo quieto o sentimento,
Aquele que se aquieta e não se excita
Mas desperta e inquieta, aperta meu sofrimento
Amor, apenas deixe que isso exista

Nesse tempo que me resta, não me subsistas
Mesmo que eu insistas em continuar,
Com vários tons e melodias, desistas
Pois cheguei no estado de verbo intransitivo, amar

E agora apenas rezo enquanto te confesso,
Não quero teu desprezo pois prezo por nós
Mesmo que me sinta preso e um pouco incerto
Isso é um pedido de S.O.S para que não nos deixe sós.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Alicerces

Somos alicerces do nosso mundo obscuro,
A relação que sobrevive e se reparte no escuro
E por mais que ela parta quando falo do futuro,
Ainda a beijo esperando partir esse coração duro

Coração que não sabe o que sente
Deus, nem eu sei o que eu sinto
Mas sei que foi um tanto de repente,
Que neste recinto, eu ressinto

A vontade de continuar do mesmo jeito
E a ânsia de sempre querer mais,
Essa batalha na qual eu me sujeito,
Enterrando poesias que me tiram a paz

Poesias que aqui guardo,
Esperando dentro do meu quarto,
Ela abrir essas notas e as ler,
E quem sabe deixar esse sentimento crescer.













sábado, 1 de setembro de 2018

A sós

Nem que me Descartes por outras partes,
Toques teus remetem nossa verdadeira face,
Tu existe e logo penso nesse impasse,
Mirar nos olhos dela e me perder sem algum escape.

A iludida ou a que ilude?
Talvez aquela que no final sempre se torna rude
O que eu serei ou deixarei de ser?
Acho que nem Shakespeare saberia me responder...

Mas com certeza foi aonde Tales se perdeu,
Achou que teus olhos fossem a essência,
E até hoje ele nunca entendeu
Que na verdade era sua miragem de inocência

Não há lógica, não há razão,
Apenas nossa percepção,
Aquilo que se manifesta em nós,
Quando estamos juntos e a sós...